Na tarde da
última quarta-feira (7/10) Família Rotaria de Pato Branco, IRDES – Instituto
Regional de Desenvolvimento Econômico e Social; FIEP – Federação das Indústrias
do Estado do Paraná e GAMA – Grupo de Amigos da Mama, com o apoio da União das
Associações de Bairros protocolaram no Ministério Público, com encaminhamento a promotora Silvana Cardoso
Loureiro sugestão de averiguações no caso da transferência do terreno do Lar
dos Idosos de Pato Branco para o Conselho Metropolitano de Maringá (CMM) e a
Sociedade São Vicente de Paulo.
Assinaram o
documento Clubes de Rotary de Pato
Branco – Cristo Rei– Vila Nova, Amizade, Araucária, Guarani, Sul e Alvorecer; o
IRDES – Instituto Regional de Desenvolvimento Econômico e Social e o Gama –
Grupo de Amigos da Mama.
O documento
apresenta um relato de fatos ocorridos que culminaram com a transferência do
terreno e levanta questionamentos quanto a capacidade do Lar dos Idosos de Pato
Branco terem lastro patrimonial para manter compromissos sociais e assumir
eventuais passivos, já que o terreno compõe o patrimônio de outra entidade, com
a qual não possui vínculo financeiro e administrativo oficial, sendo,
inclusive, de fora da cidade. O caso foi estudado pelos advogados João Paulo
Frai e Luana Varaschin Perin. “Há um claro descontentamento da sociedade que
edificou e ajudou a manter o Lar dos Idosos e esperava algo diferente por parte
do grupo que o administra”, detalha o advogado rotariano João Paulo Frai
ressaltando que o ideal seria que independente do aspecto jurídico, houvesse a
devolução do imóvel ao seu CNPJ original. Para ele, seria de bom tom que a
entidade, prioritariamente, ampliasse seu quadro social, com patobranquenses e,
diante disso, conseguir fazer valer expectativas de seus históricos gestores
que, publicamente, manifestaram clara discordância com o procedimento adotado
pelo Conselho Metropolitano de Maringá. “Lembro que o Lar dos Idosos recebe
recursos públicos e doações comunitárias e, diante disso, tem um compromisso
moral e também legal de adotar posicionamentos que primem pelo objetivo
prioritário de acolher e proteger, continuamente, os idosos o que foi a causa
geradora da doação do terreno e de toda uma mobilização comunitária de ajuda na
edificação e manutenção daquela estrutura.
O líder empresarial
e vice-presidente da FIEP, Cláudio Petrycoski pede ao Conselho Metropolitano e
aos Vicentinos acolham o desejo comunitário. ”Esperamos algo mais da gestão do
Conselho Metropolitano de Maringá que parece pouco interativa e aberta a
atender os desejos de nossas entidades e da comunidade por que não dizer... A
expectativa é de que as autoridades responsáveis entendam o contexto e o risco
de não serem tomadas as atitudes em tempo hábil. Morosidade de atitudes geram,
também, consequências, e há uma grande expectativa quanto ao desenrolar deste
caso.”
O presidente da
Comissão Rotaria Cidade Amiga do Idoso, Valmir Dallacosta que se envolveu na
iniciativa diz que seu pai e muita gente
antiga de Pato Branco está ressentida com os fatos. “Se houver um bom senso e
um entendimento de que o Lar dos Idosos sobrevive a partir de um íntimo
relacionamento com a Sociedade o Conselho Metropolitano de Maringá repensaria o
que fez e voltaria atrás. Há uma frustração muito grande com o ocorrido e a
postura deveria ser, sim, repensada.”
Já a presidente
da União dos Moradores de Bairros, Mari Colla comenta que entende que a
entidade é de alta relevância para Pato Branco e espera que haja uma reflexão
do Conselho Metropolitano de Maringá em devolver o imóvel.
Marcelo Dalle
Teze, presidente do IRDES, manteve um diálogo informal com uma integrante dos
vicentinos. Ele conta que há certa abertura e gente disposta a assumir a nova
diretoria da Entidade. Mas essa nova diretoria não compartilha a preocupação da
comunidade patobranquense de se ter um Lar dos Idosos que, por não ter a
própria sede, fica à mercê de forças externas, que nem sempre tem o Lar como
principal interesse. “Não estamos aqui
para acusar e julgar, mas apenas para pedir que haja um entendimento. Se não
for possível devolver o terreno que o Conselho Metropolitano de Maringá e os
Vicentinos lavrem um documento público assumindo de forma inteira e solidária a
responsabilidade legal sobre a manutenção das atividades, qualidade dos
serviços, inclusive cobertura financeira das demandas da Entidade, inclusive
eventuais passivos que o Lar dos Idosos de Pato Branco possa a ter. E, no mesmo
documento, venham, dentro de alinhamentos com o jurídico da Comissão, a se
comprometer a devolver o imóvel ao município, para mesma finalidade, em caso de
encerramento das atividades. Tudo isso, claro, num alinhamento com Ministério
Público e membros da comissão.” O ideal, enfatiza Marcelo, é que o imóvel volte
ao CNPJ original.
Anderson
Michelin, presidente do Rotary Club Pato Branco – Alvorecer diz que o assunto
foi levantado pelas entidades que manifestaram seu interesse e preocupação com
o assunto. Mas agora cabe haver uma postura mais efetiva e concreta na
averiguação do andamento das ações via Prefeitura, Câmara Municipal, Judiciário
e autoridades competentes que podem avaliar o caso e demandar as ações
adequadas. “O que não podemos é colocar em risco o futuro do atendimento aos
nossos idosos. A atitude de autoridades constituídas poderá fazer toda a
diferença e dar um encaminhamento adequado para o caso. E, se não for revertida
a situação, as entidades pararão, definitivamente, de contribuir com donativos
e recursos financeiros pela expectativa de maior sinergia de propósitos,
interação e transparência com quem ajuda.”
A advogada do
Gama, Luana Varaschin Perin ressalta que o mais importante é que os idosos
estejam bem. “Se as entidades vicentinas pensam, de fato, no bem estar dos
idosos, deveriam refletir. Afinal a entidade vive muito de doação comunitária e
de um entrelaçamento social ímpar, algo que foi relativamente prejudicado pela
má percepção da atitude administrativa tomada de transferir o terreno do Lar de
Pato Branco para uma organização de Maringá, sem o amplo conhecimento prévio da
população.”
Anne Gomes da Silva Cavalli diz que a “a
sociedade de Pato Branco tem histórias e memórias na instituição, criadas
através de muito do trabalho e ajuda financeira, criando um sentimento de
pertencimento. A sociedade vem se mobilizando e demonstrando insatisfação com a
transferência do imóvel . Esperamos que o imóvel seja eternamente mantido para
a finalidade proposta.”
O assunto tem
gerado preocupação da Secretaria Municipal de Assistência Social, dirigida por
Anne Gomes da Silva Cavalli e aos Conselhos Municipal do Idoso, liderado por
Patrícia Bellé e da Assistência Social,
presidido por Adelaide Johan Gomes.


