O Sudoeste Paranaense reserva
situações, no mínimo curiosas e que carecem de nossa reflexão sobre onde querem
chegar... Estamos com uma estrutura viária que ficou obsoleta há décadas e
muitas rodovias sem acostamento que geram acidentes, com vítimas fatais,
cotidianamente, destruindo, verdadeiramente, a vida de uma quantidade incrível
de famílias. Como se este problema não existisse, nem a carência de fornecimento
energético, telecomunicações e até mesmo o abastecimento de água, itens
básicos, alguns ditos líderes insistem em seguir o que definiram há mais de 10
anos e caiu na obsolescência: o tal Aeroporto Regional em Renascença.
Esta iniciativa não é sinônimo de
“elefante branco”, mas um “dinossauro branco” provavelmente ligado a interesses
políticos pois, o bom senso deixa claro que o Aeroporto Juvenal Cardoso, com
cerca de 10% a 15% do investimento de um novo aeroporto tem, sim, todas as
condições de suprir demandas regionais de vôos por décadas. E para que dois
aeroportos? Já está aparecendo o terceiro, daqui há pouco o quarto...O país, o
estado e os municípios devem estar “endinheirados” para tanto investimento numa
área só.
Firmar posição contrária em relação ao
pleiteado Aeroporto Regional em Renascença não é atacar Renascença, Francisco
Beltrão ou o município, entidade e a liderança que seja. Muito pelo contrário:
é preservar a boa aplicação do dinheiro público com foco em tantas outras
priorizações que, de fato, precisamos buscar recursos e num pacto de
mutualidade, os municípios sudoestinos se ajudarem, dentro de suas respectivas
vocações, diferenciais e características.
A matemática é simples: Com
aproximadamente R$50 milhões o Aeroporto de Pato Branco operará regionalmente
oferecendo o máximo de conforto e praticidade para os sudoestinos. Algo que
também passa pelo desafio da viabilização de linhas comerciais. Um novo
aeroporto, tirando os orçamentos que a cada dia teoricamente diminuem, segundo
os políticos interessados, demandará, na realidade, de R$400 milhões a bem mais
de R$1 bilhão, envolvendo tudo. Quem ganha com isso? O que leva a persistirem
numa estratégia do passado que, de fato, foi definida, mas não houve a
consideração a uma nova conjuntura estabelecida com a revitalização do
Aeroporto em Pato Branco?
Esperamos mais de nossos líderes
regionais, estaduais e nacionais. Os que defendem um novo aeroporto, nos
desculpem, não estão pensando no dinheiro público e muito menos nas cidades que
dizem defender. E os políticos que estão em cima do muro que reflitam o que
estão fazendo. Existem posturas que defendem a racionalidade e o bom senso em
defesa do Aeroporto Juvenal Cardoso (Pato Branco), como regional, como a do prefeito
de Pato Branco, Robson Cantu, que corajosamente está buscando a ampliação da
estrutura e já sinalizou mobilização por evasão da AMSOP, com outros
municípios, se posturas daquela entidade não forem modificadas; do deputado
estadual Luiz Fernando Guerra que, desde o início, se mostra combativo a
necessidade de outro aeroporto, além do de Pato Branco. Também não podemos
deixar de citar o ex-prefeito Augustinho Zucchi que liderou a estruturação atual
do Juvenal Cardoso e o deputado federal, Fernando Giacobo, sempre disponível e
aberto a contribuir nos trâmites e na busca por recursos.
As entidades que se dizem regionais e
que defendem o bom senso na aplicação do dinheiro público deveriam rever suas
posições de algo incompreensível. Convênios, benefícios financeiros e integrações
podem custar muito muito mais caro do que perderemos tendo dois aeroportos com
estruturas e características similares, num raio de distância extremamente
próximo. Aliás, o Aeroporto Regional em Renascença não está nem na Carta do
Sudoeste e o que leva determinadas entidades insistirem no tema ?
Será que estão levando a sério o uso
do nosso dinheiro público, tão escasso e necessário para prioridades maiores?
Reflita e ajude. Esta não é uma bandeira de Pato Branco, mas de cada sudoestino
que, pelo bom senso, sabe que carecemos de outros investimentos que podem mudar
nossa trajetória de desenvolvimento. É um dinheiro para uma necessidade
duplamente atendida que poderia ter outra aplicação em Francisco Beltrão, em
Renascença e em qualquer um dos nossos municípios.
Os novos tempos estão exigindo um
repensar na condução política dos fatos. E as pessoas, na realidade, sabem o
que orbita interessados em chover no molhado com o emprego do dinheiro que não
é seu, mas nosso.
Lembremos das reais prioridades do
Sudoeste para não voltarmos a perder o foco do que é vital: rodovias
revitalizadas e modernizadas, energia elétrica estável, abastecimento de água,
saneamento básico e infraestrutura de saúde.
Fora disso podemos ter que amargar exemplos negativos, como o vivido com
a construção de estádios para a Copa que a história mostrou que não havia
sentido para tanto investimento, o que não é diferente de ter dois aeroportos
com estrutura similar e mesmo propósito, sendo tão próximos geograficamente.
Vamos separar a política do bom senso
no uso do nosso suado dinheiro público. Vale o pedido para os envolvidos
refletirem sobre o que estão fazendo...
Cláudio Petrycoski – Vice-presidente do Sistema FIEP
Marcelo Dalle Teze – Presidente do IRDES
Foto: Rodinei dos Santos


