Lideranças do oeste catarinense e sudoeste paranaense debatem ferrovia na região

Os municípios do oeste catarinense têm um Produto Interno Bruto – PIB de R$54 bilhões e o sudoeste parananense outros R$28 bilhões. São, portanto, R$82 bilhões de movimentações que, em partes, oferecem demanda para o Sistema Ferroviário. O assunto foi amplamente discutido na Casa da Indústria, em Pato Branco em evento,  na tarde do dia 5, que teve como anfitriões a Federação das Indústrias do Estado do Paraná – FIEP, o Instituto Regional de Desenvolvimento Econômico e Social – IRDES e a Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Sudoeste Paranaense – CACISPAR.

Na oportunidade representando a FIEP e o IRDES, Cláudio Petrycoski saudou os visitantes e enfatizou a importância de um estudo técnico detalhado. “A ferrovia passando por nossa região gerará, diretamente, benefícios em competitividade para vários tipos de negócios. Tanto que pedimos para nosso gestor de Assuntos Estratégicos, João Arthur Mohr a aprofundar o entendimento dos desafios e oportunidades da Nova Ferroeste.”

O vice-presidente da Federação das Associações Comerciais de Santa Catarina, Elson Otto evidenciou a importância da integração de esforços das duas regiões para tornar mais forte o entendimento de que novos trechos ferroviários são de alta relevância para o desenvolvimento de um dos territórios mais produtivos do Brasil e do mundo.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Pato Branco, ACEPB, Roberto Elias da Silva evidenciou a relevância de contarmos, no futuro, com um ramal ferroviário. “Isso impacta diretamente nos custos de insumos que nos tornam mais competitivos e também disponibilizam para a sociedade como um todo, produtos mais acessíveis, com menores impactos de frete.”

Já o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Chapecó, ACIC e coordenador do Grupo de Entidades Contratantes do Estudo de Viabilidade, Leonir Broch disse que o momento é de se irmanar e buscar, conjuntamente, cada entidade como puder, colaborar na realização do estudo de viabilidade técnica que contemplará, entre outros fatores, topografia, impactos ambientais e demandas.

João Arthur Mohr, da FIEP ressaltou que não é quem banca mais ou quem interfere politicamente de forma mais incisiva que receberá uma ferrovia no seu território. “Os fatores de avaliação são diversos e contempla, essencialmente, trajetos que demandem menos investimentos, menos entraves burocráticos e maior possibilidade de fluxo de carga.” Mohr evidenciou que o transporte ferroviário pode, economizar em até 30% os custos com frete e, através de mudança de modais (tipos de transporte). Futuramente será possível levar de trem cargas até o porto e de lá, via marítima, para outros pontos do Brasil, o que é ainda mais econômico.

Segundo ele a Nova Ferroeste já tem estudo de viabilidade técnica em andamento dos 1304 quilômetros entre Maracaju e Paranaguá. Em breve iniciarão audiências públicas para o empreendimento. Um novo trecho deve responder a seguinte pergunta, conta Mohr: é viável economicamente?  “Sabemos que Santa Catarina tem um déficit de 5 milhões de toneladas de grão de milho ao ano, o que pode ser um oportunidade.”

Para Mohr não adianta ficar esperando dinheiro do Governo que não tem recursos. Será algo da iniciativa privada. A produção de frangos, suínos, as demandas de calcário, fertilizantes e petróleo e as nossas exportações podem representar oportunidade para ferrovias mas entendendo que, qualquer que seja a iniciativa, demandará pelo menos 8 anos de esforços para tornar possível a conquista.  Lembrou que a Ferroeste foi construída em 1980 entre Cascavel e Guarapuava; Em 1910 entre Guarapuava a Ponta Grossa e no litoral em 1885, o que torna a velocidade do trânsito das locomotivas lenta, abaixo de 15 quilômetros por hora. É uma prova de que a estrutura deverá ser revitalizada, conta o representante da FIEP, evidenciando que haverá concessão de 99 anos para investidores interessados que deverão, no traçado, levar em consideração os objetivos do milênio, a solicitação verde, os indígenas, os quilombolas e as unidades de conservação, entre outros aspectos.”


Compartilhe essa publicação:
Diretor do IRDES, vice-presidente do Sistema Fiep