Lombadas eletrônicas tendem a fazer diferença no trânsito urbano seguro

Profissionais de segurança e lideranças entendem como necessária a implementação de dispositivo tecnológico

“Nos últimos 10 anos a população de Pato Branco foi ampliada em aproximadamente 18%, enquanto a frota circulante de veículos teve um incremento de 68%, tornando o trânsito mais perigoso e congestionado, algo que tende a se intensificar e exige das autoridades e lideranças posturas preventivas imediatas para o que está acontecendo e o que virá por ai.” Palavras do tenente coronel Robertinho da Luz Dolenga durante o Encontro Municipal sobre Trânsito Urbano Seguro, organizado pelo Conselho Comunitário de Segurança de Pato Branco – CONSEG e Instituto Regional de Desenvolvimento Econômico e Social – IRDES, na noite do dia 30, no Auditório Cidadão oportunidade que contou, entre outras lideranças, com o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Pato Branco, Roberto Elias da Silva; com a presidente do Observatório Social do Brasil/Pato Branco, Terezinha Pasini de Almeida; com o presidente da Assespato, Cleiton Silvério; com a Executiva do IRDES, Lilian Dal Bello com o empresário Rubens Slonski e com o presidente da Associação dos Moradores do Centro, Santo Tiveroli Filho.

Dolenga foi mais longe. Segundo ele, lombadas eletrônicas e outras formas de redutores podem evitar mais de 70% dos acidentes, em alguns casos o percentual chega a 90%. Ele lembrou estudos do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – que avaliou os impactos dos acidentes na economia: eles começam por custos de atendimento pré-hospitalar, chegam ao atendimento hospitalar, recuperação pós-hospitalar e perda de produção laboral. Um único acidente com vítima, exemplificou, gera impacto financeiro extremo. Algo reforçado por pesquisas do Departamento Municipal de Trânsito – Depatran, através da  chefe do Controle e da Fiscalização, Francieli Catusso Tamagno que ressalta que cada vista salva representa a preservação, na economia, de R$3,3 milhões, algo também apontado pelo IPEA.

                Só em 2020 Pato Branco amargou 19 mortes e, seguindo as tendências até junho deste ano, deverá ter 22 em 2021. “Só em 2020 estas mortes geraram a redução de R$62,7 milhões em potencial laboral, sem contar os impactos na própria vítima e nas famílias que acabam com a vida transformada negativamente”, evidencia a diretora do DEPATRAN, Marines Gerhardt evidenciando que o município, se adotar lombadas eletrônicas, não estará “faturando” com multas. Pelo contrário: terá um custo substancial que será imensamente atenuado por vidas que serão preservadas. “Se compararmos os custos de um Sistema de Lombadas Eletrônicas com o benefício social gerado fica claro que o caminho é adota-lo o quanto antes.”

                Mari ressaltou que a legislação não permite lombadas físicas em pontos de curva e declive, o que a eletrônica contempla com perfeição, outro fator a ser pensado. “O relevo da cidade não ajuda muito.”

                Durante o encontro estiveram apresentando conclusões de um estudo acadêmico de mestrado, o professor Nei Tapaliba, coordenador do Estudo, via UTFPR e sua aluna Gabriela Legramanti que se mostraram favoráveis a implantação de lombadas eletrônicas como forma de preservação de vidas e acidentes com ferimentos graves. Eles ressaltaram que há condições tecnológicas para a criação e desenvolvimento de um sistema que uma dados de todos os órgãos públicos de segurança e apoio a acidentados para, a partir daí, identificar, com maior exatidão, pontos de maior incidência de acidentes e, neles, seria recomendada a instalação de redutores. “Na escolha deve ser levado em conta o número de acidentes, o volume médio de veículos que passa pelo local, a velocidade média e fatores do em torno que podem estar facilitando os abalroamentos”, detalhou Gabriela.

                Representando o Corpo de Bombeiros, a sub-comandante, capitã Alice narrou as dificuldades nas ações dos profissionais de salvamento. “Está cada vez mais difícil e desafiador o deslocamento rápido na cidade, algo necessário em casos de emergências mas, devido a expansão da frota se torna vital repensar o trânsito.” Para ela como Pato Branco tem mais veículos por habitante que a média estadual e nacional há, sim, um grande desafio no aprimoramento do fluxo. “As lombadas eletrônicas tendem a melhorar a velocidade média em alguns trechos, reduzir, significativamente os custos de manutenção dos veículos e mais do que isso: evitar acidentes com vítimas.”

                O comandante da 1ª CIA e do 3º Batalhão de Polícia, capitão Guido Benjamin dos Santos Filho ressaltou no encontro que as rotatórias não estão mais solucionando o trânsito. Existem locais, como nas proximidades do Ponto Quente, na Avenida Tupi, que está perigoso passar pela rotatória que está, sim, gerando lentidão no fluxo. Existem, segundo ele, também muitas travessias elevadas – algumas até antes, depois e abaixo de sinaleiras, que são totalmente impróprias e devem ser reconsideradas pelos custos de manutenção que podem gerar nos veículos e funções sobrepostas num mesmo local. “Hoje num caso de chamado de emergência nosso deslocamento está se tornando lento demais e temos viaturas que apresentam alto índice de manutenção por passarem em velocidade sobre quebra-molas, algo que deve ser revisto.”

                Para o capitão Guido é preciso repensar sistemicamente o trânsito da cidade, mas a implantação de controladores eletrônicos de velocidade pode, já, fazer grande diferença, sendo uma necessidade. “É um sistema com inteligência artificial que além de inibir a velocidade também nos orienta sobre as placas dos veículos em circulação. A população perceberá, assim que implantado, a importância deles. Imaginemos hoje Pato Branco sem suas 50 câmeras em funcionamento: teríamos uma comoção popular por sensação de insegurança. Com este sistema proposto de lombadas eletrônicas a comunidade tende, sim, a sair beneficiada”, concluiu lembrando que nossa região vem tendo sequestros e aumento da violência e todos os controles adicionais implementados devem ser bem vindos.

                Santo Tiveroli ressaltou a preocupação com a morosidade dos serviços de segurança no centro, tal seu estrangulamento. “Devemos preservar e valorizar a vida humana e entender que o momento exige reflexões e, acima de tudo, mudanças.”

                João Angelo Vezaro, representando o Grupo Tupa, disse que os ônibus fazem, em média 52 viagens ao dia passando por 14 lombadas físicas ou faixas elevadas entre as zonas sul e norte. “São mais de 728 vezes que passamos por dia sobre tais estruturas que geram desgastes nos veículos, desconforto aos usuários e, inclusive maior poluição com o consumo acentuado de combustíveis. Ele enfatizou que para passar cada lombada física há uma ampliação de 8 segundos no tempo de trajeto. Se calculado o dia de trabalho, pelo menos duas horas são adicionadas só para transpor tais estruturas de redução de velocidade.”

                Cleiton Silvério diz que os motorista de Vans também são favoráveis a retirada de lombadas físicas com substituição por eletrônicas. “Nós que estamos cotidianamente deslocando sabemos o impacto do atual modelo na velocidade média, no consumo de combustíveis e na manutenção dos veículos.”

                Clademir Mazzochin, da Polícia Civil ressaltou que estamos atrasados em nossas soluções para o trânsito. “O que vem sendo proposto é um instrumento moderno, de alta tecnologia que só vem trazer aspectos positivos. Quem for contra ele é quem transgride a lei e coloca em risco a vida pessoal e de outros cidadãos.”

                Para a vice-presidente do CONSEG, Mari Aparecida Moraes o que conta, além da economia nos veículos, da velocidade do fluxo dele é, de fato, a preservação de vidas e da integridade física de pessoas. “Quanto vale ter familiares em boa condição de saúde e com mais tempo de vida? É um sistema que custará cerca de R$2 milhões por ano, mas gerará muito mais benefícios do que seu custo para nossa gente.”

                O presidente do IRDES, Marcelo Silveira Dalle Teze disse que entrou no encontro dividido. “Fomos bombardeados com a visão coletiva de que estes sistemas envolveram, no passado no país, casos de corrupção que foram desmantelados e seriam instrumentos públicos de tirar o dinheiro do cidadão de bem. No encontro pude perceber que ele é punitivo sim, podendo não ser também, como em Maringá, que é gratuito, mas, acima de tudo é fundamental para a segurança das pessoas que convivemos e amamos. É momento de deixarmos de lado papo superficial de rede social que influencia, sim, nossos políticos e colocarmos a segurança da população acima de qualquer coisa.”  

                O presidente do CONSEG, Edison Luiz Outeiro comenta que o encontro foi altamente positivo e entende que existem, sim, pessoas que polemizam o assunto, especialmente em redes sociais. Porém ou são leigas ou acostumadas a transgredir a sinalização, o que não é bom para a proteção comunitária. “Agradecemos os participantes e envolvidos e deveremos, nas próximas semanas, emitir documento solicitando um posicionamento das autoridades públicas que podem fazer a diferença neste assunto”, detalhou ressaltando que está passando, por motivos familiares, a presidência, temporariamente, para Meri Aparecida Moraes.

                Existem os redutores eletrônicos de velocidade e os radares fixos (Pardais). A diferença entre os dois equipamentos é que, o radar fixo monitora um trecho reduzindo a velocidade ao longo desse espaço. As lombadas eletrônicas são dispositivos que reduzem a velocidade bruscamente num ponto específico, como porta de escola, travessia de pedestre e igreja, entre outros.  Existem outras fontes favoráveis a implantação do sistema de controle de velocidade por equipamentos eletrônicos. O Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID – evidencia que tais sistemas reduzem em mais de 60% o número de mortes em acidentes de trânsito. “Que fosse menor o percentual, já valeria a pena”, finaliza Outeiro.

             

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Membro efetivo do conselho de administração do IRDES